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Diário 21K
Capa do Diário 21K semana 3: números 14,3 toneladas levantadas, 5,92 km corridos e 3.805 kcal no plano, sobre raias de pista com a linha de chegada de Bonito-MS em laranja
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Musculação e corrida no mesmo dia

Volume0km
Em 30 segundosQuinta teve pilates, musculação de peito, tríceps e ombro, e uma esteira em que fiz 12 das 22 repetições de tiro do fartlek. Sexta teve dorsal e bíceps, um gel e 40 minutos de corrida leve: 5,92 km a 6:46/km, com frequência cardíaca média de 166 bpm. As duas musculações somaram 14,3 toneladas de volume. O saldo é uma desconfiança que já virou frase: a corrida está começando a canibalizar a musculação. A semana que vem traz ajuste.

Quinta-feira, 18h, chuva em Dourados. O plano da noite tinha três blocos: pilates, musculação e um fartlek na rua. Os dois primeiros saíram do papel. O terceiro mudou de endereço, virou esteira e terminou em 12 das 22 repetições de tiro.

Na sexta, dorsal, bíceps e uma corrida leve de 40 minutos. Somando tudo: cinco treinos em 48 horas, um gel e uma suspeita que eu explico no fim do texto. Primeiro, os números.

As 48 horas, hora por hora

Quinta 01/10 → Sexta 02/10Semana 03 / 12
Levantado14,3 t
Corrida5,92 km
Pace6:46
Sessões5
QuandoO quêDados
Qui 18:00Pilates: fortalecimento e alongamento1 h
Qui 19:07Musculação: peito, tríceps e ombro59 min 50 s · 6.390 kg · FC 98 bpm
Qui noiteEsteira: fartlek12 de 22 tiros
Sex 18:05Musculação: dorsal e bíceps1 h 12 min · 7.959,5 kg · FC 98 bpm
Sex 19:53Corrida leve40 min · 5,92 km · 6:46/km · FC 166 bpm
De onde vêm os números: Strava e Zepp, o app do meu Amazfit. As calorias são estimativa do relógio.

Quinta: chuva, pilates e uma esteira que não fechou

Às 18h, pilates: uma hora de aula focada em fortalecimento e alongamento, fechando com mais mobilidade.

Strava da musculação de quinta: 59 min 50 s, frequência cardíaca média de 98 bpm e 6.390 kg de volume, com peito, ombros e tríceps destacados
Quinta no Strava: peito, ombro e tríceps.

Às 19h07, segundo o relógio, começou a musculação. Peito, tríceps e ombro, com foco em carga e poucas repetições.

Foram 59 min 50 s, 6.390 kg de volume e frequência cardíaca média de 98 bpm. O relógio contou 290 kcal.

Depois veio o fartlek. A chuva tirou a rua do jogo e eu fui para a esteira. Eram 22 repetições de tiro, e eu fiz 12.

Fartlek é o treino de ritmo livre: você alterna trechos rápidos e leves sem uma estrutura engessada. Na esteira, vira uma conversa com o botão de velocidade.

Sexta: dorsal, bíceps e 40 minutos de corrida leve

Na sexta, às 18h05, foi dia de dorsal e bíceps. 1 h 12 min, 7.959,5 kg de volume, frequência cardíaca média de 98 bpm e 358 kcal no relógio.

É a sessão mais pesada dos dois dias, em volume: 1.569,5 kg a mais que a de quinta.

Strava da musculação de sexta: 1 h 12 min, frequência cardíaca média de 98 bpm e 7.959,5 kg de volume, com dorsal e bíceps destacados
Sexta no Strava: dorsal e bíceps.
Ilustração em estilo cartoon de uma selfie no espelho da academia depois da musculação de dorsal e bíceps de sexta
Pós-musculação de sexta, em versão cartoon.
Gel de carboidrato Atlhetica GO! Energy Now! sabor laranja com acerola, sachê de 30 g, usado na sexta
O gel de sexta.

Na sexta usei um gel por causa das calorias que gastei na musculação. Era o Atlhetica GO! Energy Now!, de laranja com acerola. O sachê tem 30 g e o rótulo anuncia 100 mg de cafeína, 100 mg de beta-alanina, 85 mg de sódio e 60 mg de potássio.

A corrida: 5,92 km a 6:46 por quilômetro

Sexta 02/10 · 19:53Corrida leve
Distância5,92 km
Tempo40:06
FC média · bpm166
FC máxima · bpm175
Parciais por km da corrida de sexta no Strava: 6:35, 6:58, 6:32, 6:17, 6:53 e 7:19 nos últimos 0,9 km
As parciais da corrida de sexta.

O Strava separou a corrida em parciais: 6:35, 6:58, 6:32, 6:17 e 6:53 nos cinco primeiros quilômetros, e 7:19 nos últimos 0,9 km. O quarto foi o mais rápido; o último, o mais lento. O relógio contou 523 kcal.

Dá para comparar com o primeiro relato do Diário 21K. Lá, a frequência cardíaca ficou em 164–165 bpm com paces entre 5:25 e 5:59, sob 36 °C. Agora foram 166 bpm a 6:46 por quilômetro: a mesma frequência cardíaca, com um ritmo cerca de um minuto por quilômetro mais lento.

Dois treinos não fecham uma conclusão. O primeiro foi no calor; este foi à noite, depois de uma hora e doze de dorsal e bíceps. O que o número não mostra é o contrário: o quanto a corrida está cobrando da musculação. Isso eu só sei pela sensação.

A conta da dieta: 3.805 kcal

Plano alimentar do app com cinco refeições: café da manhã às 6h, lanche às 9h, almoço às 12h, lanche às 17h30 e janta às 21h30, somando 3.805 kcal
O plano alimentar do dia, em dois prints.

O plano alimentar tem cinco refeições e fecha em 3.805 kcal. No print o contador está em 0 de 3.805: é o plano, não o registro do que eu comi.

HoraRefeiçãokcalP / C / G
06:00Café da manhã74138 / 108 / 22 g
09:00Lanche da manhã78429 / 114 / 22 g
12:00Almoço72477 / 84 / 8 g
17:30Lanche da tarde74034 / 110 / 19 g
21:30Janta81678 / 108 / 8 g
Total3.805256 / 524 / 79 g

É aqui que nasce a suspeita: sinto que a corrida está começando a canibalizar a musculação. Se for isso, eu ajusto, e na próxima semana deve ter novidade.

O que a ciência diz

Evidência

O nome do que eu estou sentindo é efeito de interferência: treinar força e resistência no mesmo ciclo pode atrapalhar parte dos ganhos de força, de massa muscular e de potência. Uma meta-análise de 2012 encontrou relação negativa entre a frequência e a duração do treino aeróbico e esses ganhos, e concluiu que o efeito depende da modalidade, da frequência e da duração do aeróbico escolhido. Um estudo desses sugere um risco, não uma sentença.

Wilson et al., 2012 — Journal of Strength and Conditioning Research

Corrida leve no papel pode não ser leve para o corpo.

Essa é a lição das 48 horas. O relógio marcou 166 bpm de média num ritmo de 6:46, e eu comecei a sentir que a corrida está tirando espaço da musculação. Os dois dados apontam para o mesmo lugar: o plano precisa contar a corrida leve como treino de verdade.

Próxima semana

Até aqui, a semana soma 17 km de corrida. O plano tem um ajuste a fazer, e a semana que vem deve ter novidade por aqui. Se você quer entender a lógica geral de dividir os dois treinos, leia o guia de musculação e corrida juntos.

Perguntas frequentes

Dá para fazer musculação e corrida no mesmo dia?

Dá, e muito atleta híbrido faz. Neste relato foram dois dias assim: musculação no fim da tarde e corrida ou esteira logo depois. O que a pesquisa chama de efeito de interferência diz que, quanto mais frequente e longo o aeróbico, maior o risco de atrapalhar os ganhos de força e massa. A conta é de volume e recuperação.

O que é fartlek?

É um treino de corrida com variação livre de ritmo, alternando trechos rápidos (os tiros) e trechos leves, sem uma estrutura rígida. O nome vem do sueco e quer dizer “jogo de velocidade”. No meu caso eram 22 tiros planejados, e fiz 12.

Vale usar gel numa corrida leve de 40 minutos?

Em geral, não: para treinos de menos de uma hora costuma bastar água, e as diretrizes do ACSM falam em 30 a 60 g de carboidrato por hora para esforços de 1 a 2,5 horas. Na sexta usei porque tinha gastado muita energia na musculação antes. É uma decisão minha, não uma regra.

Referências

  1. Wilson JM, Marin PJ, Rhea MR, Wilson SMC, Loenneke JP, Anderson JC. Concurrent training: a meta-analysis examining interference of aerobic and resistance exercises. J Strength Cond Res. 2012;26(8):2293-2307. Journal
  2. Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. American College of Sports Medicine Joint Position Statement. Nutrition and Athletic Performance. Med Sci Sports Exerc. 2016;48(3):543-568. PubMed

Cadu Paes · Peak Human

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