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Barras laranja crescentes sobre fundo preto simbolizando a volta gradual das cargas na musculação, com a palavra VOLTA
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Treinar depois de tirar o siso: Diário 21K #06

Em 30 segundosVoltei à musculação 6 dias depois de tirar dois sisos, com cargas leves e três treinos até sábado, e hoje o volume de carga já ficou parecido com o de antes. As orientações que encontrei mandam evitar esforço intenso nos primeiros dias, mas não achei estudo testando treino de força nessa fase, então a decisão é do dentista ou cirurgião. A fraqueza que senti combina com pausa curta e comer menos. A corrida volta na quarta, mais lenta, a 47 dias da meia maratona.

Treinar depois de tirar o siso foi o assunto da minha semana. Tirei dois sisos em 09/10. As orientações do meu dentista diziam que, de 5 a 7 dias depois, eu poderia fazer exercícios bem leves, e comecei pela musculação na quinta-feira (15/10). A largada da meia maratona continua em 5 de dezembro, a 47 dias.

Estava no planejado fazer o procedimento agora, e não perto da prova. Neste relato eu conto o que fiz em cada treino, o que senti e o que as fontes que consegui ler dizem sobre cada ponto. Onde não achei evidência, eu aviso.

Os três dias de volta à musculação

Qui 15/10 → Seg 19/10 · Volta ao treinoSemana 06 / 12
Da extração à volta6 dias
Treinos de musculação3
Corridas na semana0
Corrida previstaQua 21/10
DiaTreinoComo foi
Qui 15/10Peito (2 exercícios), dorsal (2), ombro (2), tríceps (1) e bíceps (1)Cargas muito leves. Região tensionada e força reduzida.
Sex 16/10Inferiores: quadríceps, posterior e glúteosCargas ainda reduzidas, mas um treino mais completo do que costumo fazer.
Sáb 17/10Dorsal, abdômen e panturrilhaTerceiro dia de readaptação.
Dom 18/10DescansoNão corri: clima mais quente e pontos ainda não cicatrizados.
Como ler: é o relato do meu treino, sem comparação com estudo. Não é um protocolo para quem acabou de tirar o siso.

O procedimento limita alguns movimentos, e o que mais me incomodou foi a região tensionada e a força reduzida depois de 5 dias parado. Hoje, segunda-feira (19/10), foi o dia em que peguei volumes de carga maiores, parecidos com os de antes da pausa.

Treinar depois de tirar o siso: o que dizem as orientações

O folheto para pacientes do Royal College of Surgeons da Inglaterra manda evitar esforço e exercício intenso nos primeiros dias, usa a caminhada para reconstruir o condicionamento e prevê a volta ao esporte normal até o fim da primeira semana, seguindo o cirurgião [1]. O serviço de saúde do Reino Unido (NHS) diz que dá para retomar as atividades normais no dia seguinte, e que dor, inchaço e rigidez na mandíbula podem durar até 2 semanas [2].

As duas fontes não dizem a mesma coisa, e nenhuma delas é um estudo sobre levantar peso nessa fase. Eu não encontrei ensaio clínico que teste musculação depois da extração de siso. O que existe são orientações de serviços de saúde, e a regra prática é perguntar ao dentista ou cirurgião que fez o procedimento.

A complicação que mais pesa: a alveolite (osso seco)

A alveolite é quando o coágulo do alvéolo não se forma direito. A revisão Cochrane de 2022 descreve dor intensa que costuma começar de 2 a 3 dias depois da extração e estima incidência de 1% a 5% nas extrações de rotina, podendo passar de 30% em sisos extraídos cirurgicamente [3]. O folheto do Royal College fala em 5% a 10% dos pacientes, com dor forte de 3 a 5 dias depois de a primeira dor passar, e manda procurar o cirurgião logo [1].

Eu não tenho como dizer se treinar muda esse risco, porque as fontes que li não tratam disso. Se a dor aumentar alguns dias depois da extração, o caminho é o consultório, não o treino.

Por que a força caiu

Não dá para separar as causas de uma fraqueza que eu senti em três treinos. Mas dois fatores têm base nas fontes:

  • A pausa. Em um estudo com 39 pessoas, parar uma semana no meio de 9 semanas de treino reduziu o ganho de força nos membros inferiores em comparação com treinar direto, sem diferença no ganho de massa muscular, na potência e na resistência local [5]. Uma meta-análise com 103 estudos descreve a perda de força como crescente com o tempo parado, e limitada em pausas curtas [6].
  • Comer menos. Em um estudo com 254 pacientes, 24,4% (62 pessoas) comeram bem menos no primeiro dia depois de extrair terceiros molares [4]. A restrição forte de energia piora a perda muscular quando a atividade cai [7].

A dor e a região tensionada eu só posso relatar, sem fonte. Voltar leve também não é perda de tempo: uma meta-análise concluiu que cargas leves e pesadas geram ganho de massa muscular parecido em pessoas saudáveis, e que as cargas pesadas levam vantagem no ganho de força máxima [9]. Isso descreve pessoas saudáveis, e não um plano para quem está se recuperando.

Comer o suficiente com a boca limitada

Como sou ectomorfo, meu organismo depende de muitas calorias, e nos 3 primeiros dias foi difícil fazer a dieta. Ectomorfo é um dos três somatótipos descritos por William Sheldon em 1940, com constituição delgada, membros longos, tórax estreito e musculatura pouco desenvolvida [11]. É uma descrição do formato do corpo, e eu uso o termo só para explicar como eu me enxergo, sem tratar como explicação de quanto eu preciso comer. As orientações para quem tira o siso são comer alimentos moles ou líquidos nos primeiros dias, evitar comida muito quente e passar para sólidos aos poucos [1][2]. Isso ajuda a cicatrização, mas limita o que cabe no prato de quem precisa de muita energia.

O informe do Gatorade Sports Science Institute sobre lesões que reduzem a atividade (Tipton, 2017) recomenda buscar equilíbrio de energia, porque tanto a restrição severa quanto o excesso grande aceleram a perda muscular, e manter ao menos a quantidade absoluta de proteína quando a ingestão cai [7]. É um texto sobre lesões, não sobre siso, então uso como direção, não como meta.

Correr depois de tirar o siso: por que fica para quarta

No domingo (18/10) eu não me senti confortável para correr. O clima estava mais quente e os pontos ainda não tinham cicatrizado. O folheto do Royal College diz que os pontos dissolvem sozinhos [1], mas não dá um prazo que me diga se já posso fazer esforço. A decisão de voltar às rodagens na quarta-feira (21/10) é minha, e o dentista continua valendo mais que o meu feeling.

Sobre o calor: uma análise de resultados de maratonas mostrou que a velocidade máxima acontece entre 3,8 °C e 9,9 °C, conforme o nível do corredor, e que a temperatura afeta todos os níveis [8]. Não é um limite para o meu treino, só um lembrete de que um dia quente cobra pace.

Meus treinos de corrida são quarta, quinta, sexta e domingo, e a volta começa na quarta. Minha última corrida foi na quinta-feira (08/10), um dia antes da extração. Se eu correr no dia 21, serão 13 dias sem correr. Nos estudos de destreino que reuni no Diário 21K #05, 10 a 15 dias parado ficou entre nenhuma queda e cerca de 7% de VO2máx [10]. Esses estudos não medem pace nem tempo de prova, então eles não me dizem o quanto mais lento eu vou correr. Vou voltar com ritmo muito mais lento e ajustar pelo que o corpo mostrar.

O que eu levo para os 21K

  • Voltar leve é parte do plano. Três treinos de readaptação, com cargas reduzidas, antes de pensar em carga cheia.
  • Comer entra no treino. A boca limitada atrapalhou a dieta mais do que o treino, e isso eu vou acompanhar.
  • A preocupação é a corrida. A musculação já voltou a volume de carga parecido com o de antes; a corrida volta lenta, e o relato da quarta traz os números do relógio.

Estou ansioso para voltar à rotina cheia. Este texto é um relato pessoal com fontes, não uma orientação médica: quando e como treinar depois de tirar o siso é uma decisão para o seu dentista ou cirurgião.

Perguntas frequentes

Quanto tempo esperar para treinar depois de tirar o siso?

Depende da fonte e do seu caso. O folheto do Royal College of Surgeons manda evitar exercício intenso nos primeiros dias e prevê o esporte normal ao fim da primeira semana [1]. O NHS diz que muita gente volta às atividades normais no dia seguinte [2]. Quem decide é o profissional que fez a extração.

Posso fazer musculação depois de tirar o siso?

Eu não encontrei estudo testando musculação nessa fase. As orientações falam em evitar esforço intenso nos primeiros dias [1]. No meu caso, as orientações do meu dentista liberavam exercício bem leve entre 5 e 7 dias, e voltei com cargas muito leves no sexto dia. Isso é relato, não recomendação.

Treinar causa alveolite (osso seco)?

As fontes que li não respondem isso. Elas descrevem a alveolite como dor intensa que começa alguns dias depois da extração, com incidência de 1% a 5% nas extrações de rotina e bem mais em sisos extraídos cirurgicamente [3]. Se a dor aumentar, procure o cirurgião [1].

O que comer depois de tirar o siso para não perder massa muscular?

Nos primeiros dias, as orientações pedem alimentos moles ou líquidos [1][2]. Para a massa muscular, o texto de Tipton (2017) sugere buscar equilíbrio de energia e manter a quantidade de proteína quando a ingestão cai [7]. É um texto sobre lesões, e o plano alimentar do seu caso é com um nutricionista.

Uma semana parado faz perder força?

Em um estudo com 39 pessoas, uma semana sem treinar atrapalhou o ganho de força nas pernas, mas não o de massa muscular [5]. Em pausas curtas, a perda de força é descrita como limitada [6].

Referências

  1. Royal College of Surgeons of England. Get Well Soon: helping you to make a speedy recovery after removal of wisdom teeth (folheto para pacientes). PDF
  2. NHS. Wisdom tooth removal: recovery. nhs.uk
  3. Daly BJM, Sharif MO, Jones K, Worthington HV, Beattie A. Local interventions for the management of alveolar osteitis (dry socket). Cochrane Database Syst Rev. 2022;9:CD006968. doi:10.1002/14651858.CD006968.pub3 Cochrane
  4. Taniguchi S, Abe A, et al. Factors associated with a reduced food intake after third molar extraction among adults: a cross-sectional study. BMC Oral Health. 2022;22:120. BMC
  5. Coleman M, Burke R, Augustin F, Piñero A, Maldonado J, Fisher JP, Israetel M, Androulakis Korakakis P, Swinton P, Oberlin D, Schoenfeld BJ. Gaining more from doing less? The effects of a one-week deload period during supervised resistance training on muscular adaptations. PeerJ. 2024;12:e16777. doi:10.7717/peerj.16777 PeerJ
  6. Bosquet L, Berryman N, Dupuy O, Mekary S, Arvisais D, Bherer L, Mujika I. Effect of training cessation on muscular performance: a meta-analysis. Scand J Med Sci Sports. 2013;23(3):e140-9. doi:10.1111/sms.12047 PubMed
  7. Tipton KD. Nutritional support for injuries requiring reduced activity. Sports Science Exchange #169. Gatorade Sports Science Institute; 2017. GSSI
  8. El Helou N, Tafflet M, Berthelot G, et al. Impact of environmental parameters on marathon running performance. PLoS One. 2012;7(5):e37407. doi:10.1371/journal.pone.0037407 PLOS ONE
  9. Schoenfeld BJ, Grgic J, Ogborn D, Krieger JW. Strength and hypertrophy adaptations between low- vs. high-load resistance training: a systematic review and meta-analysis. J Strength Cond Res. 2017;31(12):3508-3523. PubMed
  10. Barbieri A, Fuk A, Gallo G, Gotti D, Meloni A, La Torre A, Filipas L, Codella R. Cardiorespiratory and metabolic consequences of detraining in endurance athletes. Front Physiol. 2023;14:1334766. doi:10.3389/fphys.2023.1334766 PubMed
  11. Clínica Universidad de Navarra. Ectomorfo: somatotipo delgado de Sheldon. Diccionario médico CUN. CUN

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