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Capa do Diário 21K, semana 05: a palavra PAUSA em laranja sobre fundo preto
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Diário 21K #05: o que a ciência diz sobre parar uns dias de treino

Em 30 segundosEm atletas de endurance, parar de treinar por 10 a 15 dias custou de nenhuma queda a cerca de 7% de VO2máx nos estudos reunidos em uma revisão de 2023. A queda vem principalmente do volume de sangue, e a força das pernas tende a resistir melhor que o fôlego, sem ser imune. Esta semana eu não treino por causa de um procedimento cirúrgico, então em vez do relato de treino trago o que a pesquisa diz sobre pausas.

Esta semana o Diário 21K não tem treino. Por causa de um procedimento cirúrgico, devo ficar sem treinar até quinta-feira, e a volta vai seguir o que o médico liberar. A largada da meia maratona continua em 5 de dezembro, a cerca de 8 semanas.

Prefiro usar a semana para responder a pergunta que todo corredor faz quando precisa parar: quanto condicionamento eu perco? O nome técnico é destreino na corrida, e a resposta honesta tem faixa, não um número único.

O que muda em 10 a 15 dias sem treinar

Pausa · dados de estudosSemana 05 / 12
10 dias parado0%
12 dias parado−7%
14 dias parado−4,7%
15 dias parado−3,7%
EstudoTempo paradoVO2máxOutros marcadores
Cullinane et al., 198610 diassem mudança—
Coyle et al., 198412 dias−7%—
Houmard et al., 199214 dias−4,7%volume de plasma em repouso −5,1%
Chen et al., 202215 dias−3,7%volume sistólico −4,1%
Coyle et al., 19862 a 4 semanas—plasma −12%, volume de sangue −9%
Como ler: são valores de estudos diferentes, reunidos na revisão de Barbieri et al. (2023) [2]. A faixa vai de nenhuma queda a cerca de 7%.

Um estudo não achou queda aos 10 dias, e os outros acharam entre 3,7% e 7% entre 12 e 15 dias. Os estudos têm amostras pequenas e atletas de níveis diferentes, então a faixa é mais honesta do que um número único. Um deles, com 15 atletas homens de endurance, mediu 2 semanas parados e viu queda de VO2máx, do tempo até a exaustão e do volume sistólico máximo [4].

Por que o fôlego cai primeiro

A revisão de 2023 atribui a queda de VO2máx, principalmente, à redução do volume de plasma e de sangue. Com menos sangue circulando, o coração bombeia menos por batida e o débito cardíaco máximo cai [2]. Na parada completa, também diminuem o limiar de lactato e o glicogênio muscular.

Uma revisão anterior, focada em paradas de menos de 4 semanas, descreve o mesmo quadro: queda rápida de VO2máx e do volume de sangue em atletas muito treinados, com mudanças menores em quem treina há pouco tempo [1]. Ou seja, o corpo perde primeiro o que depende de volume sanguíneo e de como o coração trabalha, antes de perder estrutura muscular.

E a força das pernas?

Em paradas curtas, a perda de força é descrita como limitada [1]. Uma meta-análise com 103 estudos mostra que a perda cresce com o tempo parado, e que ela é maior em pessoas acima de 65 anos e em sedentários do que em atletas recreativos [3].

Limitada não quer dizer zero. No estudo de 2 semanas com 15 atletas, a força dos extensores do joelho caiu, enquanto a dos flexores e a resistência muscular não mudaram [4]. Para quem corre e treina perna, é um bom lembrete de que a volta pede progressão, não retomar de onde parou.

O que esses estudos não dizem

  • Quem foi estudado. Atletas saudáveis que simplesmente pararam de treinar. O estudo de 2 semanas, por exemplo, tinha 15 homens de 19 a 26 anos [4].
  • O que foi medido. VO2máx, volume de sangue e força, não o tempo de prova. Nenhum desses números diz quanto tempo alguém perde numa meia maratona.
  • Quanta evidência existe. Os próprios autores da revisão de 2023 dizem que os dados sobre o tema são escassos [2].
  • Cirurgia é outro cenário. Recuperar de um procedimento não é o mesmo que ficar parado por escolha. Essa parte é do médico, não de uma tabela de estudo.

Reduzir sem zerar: o que a literatura mostra

Em atletas saudáveis, a revisão de 2023 cita trabalhos em que manter um treino reduzido preservou o VO2máx: após 4 semanas de baixo volume com intensidade moderada a alta, e em uma transição de 8 semanas com uma sessão semanal de alta intensidade e menos volume leve. A conclusão dos autores é que um volume mínimo de treino leve, somado a pelo menos uma sessão semanal moderada ou intensa, pode preservar o VO2máx [2].

Isso descreve o que foi observado em quem estava liberado para treinar. Não é uma recomendação para quem está se recuperando de um procedimento, e eu não vou testar nada disso esta semana.

O que eu levo para os 21K

Minha leitura dos números: uma pausa curta aparece nos estudos como queda pequena a moderada de VO2máx, e não como fim de ciclo. O que eu não sei é como o meu corpo vai responder depois do procedimento. Por isso o plano de volta vem do médico, e não de um artigo científico. No próximo relato eu conto como foi a volta, com os números do relógio.

Perguntas frequentes

Quanto tempo parado para perder condicionamento na corrida?

Nos estudos citados, em 10 a 15 dias o VO2máx de atletas de endurance variou de nenhuma queda a cerca de 7%. Quanto mais tempo parado, maior tende a ser a perda, e os dados daqui cobrem pausas de até 4 semanas.

Uma semana sem correr atrapalha a meia maratona?

Os estudos medem VO2máx e outros marcadores, não o tempo de prova, e não testaram uma semana isolada. Não dá para prometer o efeito na prova. O que os números mostram é queda pequena a moderada em pausas de 10 a 15 dias.

A força cai tão rápido quanto o fôlego?

Em geral, não. Em paradas curtas a perda de força é descrita como limitada, mas ela cresce com o tempo parado. Em um estudo de 2 semanas com atletas de endurance, a força dos extensores do joelho caiu e a dos flexores não mudou.

Posso me exercitar enquanto me recupero de um procedimento cirúrgico?

Depende do procedimento e da sua recuperação. Essa resposta é do seu médico. Este texto traz o que a pesquisa diz sobre pausas em atletas saudáveis e não substitui orientação médica.

Referências

  1. Mujika I, Padilla S. Detraining: loss of training-induced physiological and performance adaptations. Part I: short term insufficient training stimulus. Sports Med. 2000;30(2):79-87. doi:10.2165/00007256-200030020-00002 PubMed
  2. Barbieri A, Fuk A, Gallo G, Gotti D, Meloni A, La Torre A, Filipas L, Codella R. Cardiorespiratory and metabolic consequences of detraining in endurance athletes. Front Physiol. 2023;14:1334766. doi:10.3389/fphys.2023.1334766 PubMed
  3. Bosquet L, Berryman N, Dupuy O, Mekary S, Arvisais D, Bherer L, Mujika I. Effect of training cessation on muscular performance: a meta-analysis. Scand J Med Sci Sports. 2013;23(3):e140-9. doi:10.1111/sms.12047 PubMed
  4. Two weeks of detraining reduces cardiopulmonary function and muscular fitness in endurance athletes. Eur J Sport Sci. 2022;22(3):399-406. doi:10.1080/17461391.2021.1880647

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